sábado, 21 de novembro de 2009

Coerência Textual

COERÊNCIA TEXTUAL




Um texto é coerente quando é possível interpretá-lo. Estudar a coerência de um texto é, pois, estudar as condições de sua interpretabilidade. Vejamos alguns exemplos:

( 1 ) Quem tem uma foto importada de 1000 cilindradas, que custa 20 mil dólares, não vai expô-la ao trânsito de uma cidade como Recife.

( 2 ) Holyfield venceu a luta, apesar de ser o mais forte dos lutadores.


Observe que os textos acima são incoerentes. No primeiro caso, houve o uso inadequado, talvez por erro de grafia, da palavra foto pela palavra moto. No segundo caso, houve uma falha gramatical. A conjunção apesar de não está adequada e deveria ser substituída pela conjunção pois, o que resultaria em coerência textual.

A coerência de um texto depende também de outros fatores, como os elementos contextualizadores que são data, local, elementos gráficos etc. Imagine o seguinte texto:

( 3 ) Hoje, eu, o rei, convido a todos a comparecer em massa, para assistir ao massacre de Israel.

Percebemos que a coerência textual também depende de nosso conhecimento de mundo.
Alguém com conhecimento em história pode relacionar o fato ao povo judeu, quando Roma, na ocupação da Judeia , a destruiu sob o comando do imperador Tito. Os mais aficionados por futebol, vão associar o texto à frase dita pelo rei Pelé, no Rio de Janeiro, em 1995, numa partida entre as seleções do Brasil e de Israel.

A meta-regra da não-contradição nos diz que cada pedaço do texto deve “fazer sentido” com o que se disse antes. Se um texto cita um fato e logo em seguida cita outra coisa diferente sobre o mesmo fato, fica bem clara a contradição. As informações não batem.Vejamos o texto a seguir:



Para as tropas aliadas, o dia 4 de junho foi um dia terrível. Os homens da quarta divisão de infantaria ficaram o dia inteiro no mar. Os navios-transporte e as embarcações de desembarque faziam círculos ao largo da ilha de Wight. As ondas arrebentavam sobre os lados, caía uma chuva forte. Os homens estavam prontos para o combate, mas sem destino nenhum. Depois dessa exaustiva caminhada, debaixo de um sol escaldante, todos estavam cansados. Nesse dia 3 de junho, ninguém queria jogar dados ou pôquer, ou ler um livro ou ouvir outra instrução. O desânimo tomava conta de todos.

A informação de que os soldados estavam exaustos depois de uma caminhada contradiz o que está pressuposto na parte inicial. Afinal, eles estavam embarcados em navios-transporte e pressupõe-se que, nessas condições, soldados não façam caminhadas. Outra coisa sem nexo é que caía uma forte chuva. Como eles podiam estar cansados sob um sol escaldante? Outra contradição é a de que no dia 3 de junho ninguém queria jogar dados ou pôquer. O início do texto explicita o dia 4 de junho. Portanto, o texto em questão tem coesão, progressão, mas é contraditório e, por isso, incoerente.
A regra-meta de relação estabelece que o conteúdo do texto deve estar adequado a um estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto:

O município de Gravatá abrange uma região imensa que é composta por vários estados limítrofes que ocupam uma área respeitável. Conta ainda com uma superpopulação, com uma maioria de pessoas cultas e uma juventude com grandes recursos educacionais, cursando as várias escolas e faculdades existentes.
Isto posto, essa cidade sente falta urgente de uma capela crematória. Para os leigos é preciso esclarecer que, para um corpo ser exumado através do forno crematório, há necessidade que ele registre esta vontade diante de duas testemunhas. Somente o interessado poderá usar esta forma de suprir seu desejo, caso contrário, a exumação seria da forma natural, ou seja, o sepultamento.

Esse texto contraria de várias maneiras a meta-regra de relação, pois seu conteúdo não condiz com a realidade. Afinal, Gravatá não se limita com vários estados, não tem superpopulação, um corpo (cadáver) não pode mais registrar suas vontades e, se pudesse, como o faria diante de duas testemunhas? Há também o emprego inadequado do léxico. Afinal, exumar não é o mesmo que cremar ou sepultar.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mecanismos de Coesão Textual

MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL




Coesão é o encadeamento semântico que produz a textualidade. Podemos definir a coesão, mais especificamente, dizendo que se trata de uma maneira de recuperar, em uma sentença, um termo presente na sentença anterior.
Se perguntarmos se duas sentenças como Pegue três maçãs, Coloque-as sobre a mesa constituem um texto, a resposta será afirmativa. Se perguntarmos o motivo, dirão que ambas tratam da mesma coisa. Se perguntarmos ainda se existe algo na segunda sentença que possa ligá-la à primeira, apontariam o pronome as. De fato, o pronome recupera semanticamente, na segunda sentença, o termo três maçãs. Eis aí um exemplo de coesão textual.
Muitas pessoas constroem razoavelmente a textualidade na língua oral, mas, quando se trata de escrever um texto, em geral se limitam a usar as palavras mesmo e referido, produzindo sequências do tipo:


(1) Pegue três maçãs. Coloque as mesmas sobre a mesa.
(2) João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Na referida cidade, o mesmo disse que a igreja continua a favor do celibato.


É muito fácil, porém, evitar este procedimento, fazendo uso dos amplos recursos de que a língua dispõe para construir a textualidade. Vejamos outras versões possíveis da sequência (2):

(2 a) João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Lá, ele disse que a igreja continua a favor do celibato.
(2 b) João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Lá, disse que a igreja continua a favor do celibato.

Na versão (2 a), o termo Varsóvia está recuperado pelo advérbio lá e o termo João Paulo II, pelo pronome ele. Esse processo chama-se coesão por referência. As palavras responsáveis por este tipo de coesão são os pronomes pessoais ( ele, ela, nós, o, a, lhe, etc.), os pronomes possessivos ( meu, teu, seu etc. ) e os pronomes demonstrativos ( este, esse, aquele etc. ). Os advérbios de lugar e também os artigos definidos entram nesta lista..

Em ( 2 b ), João Paulo II se acha retomado na segunda sentença por elipse, ou seja, a omissão do termo ele .
Uma outra possibilidade seria utilizar palavras ou expressões sinônimas dos termos que deverão ser retomados. No caso em questão, podemos usar a palavra papa, para retomar João Paulo II, e a expressão capital da Polônia, para retomar Varsóvia.

( 2 c) João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Na capital da polônia, o papa disse que a igreja continua a favor do celibato.




Observe que a coesão é essencial para evitar a repetição de termos:

( 3 ) Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Os termômetros clínicos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria.

Para evitar este inconveniente, podemos utilizar sinônimos ou outras palavras que substituam, sem fugir aos significados dos termos anteriores.

( 3 a) Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Os mesmos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria.
( 3 b) Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Esses instrumentos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria.


Um efeito colateral positivo da coesão é a maior clareza do texto. Comparemos as versões a seguir de um mesmo texto:

I. O governo de muitos países tem decidido liberar a maconha para uso doméstico. A Inglaterra faz vistas grossas ao seu consumo. Ela deixará, a partir de agora, de efetuar prisões por seu porte para consumo próprio. Ela segue a tendência européia de maior tolerância com os usuários de drogas leves.


II. O governo de muitos países tem decidido liberar a maconha para uso doméstico. A Inglaterra faz vistas grossas ao consumo da erva. As autoridades inglesas deixarão, a partir de agora, de efetuar prisões pelo porte desse entorpecente para consumo próprio. O país segue a tendência européia de maior tolerância com os usuários de drogas leves.


Às vezes, a coesão textual é feita de maneira indireta, apelando para o conhecimento de mundo do leitor. Vejamos os exemplos seguintes:

( 4 ) Ontem fui a uma festa de casamento. O bolo estava delicioso.
( 5 ) Liguei o carro e saí. Duas quadras depois notei um pneu da frente
vazio.
( 6 ) Mamãe ficou uma semana internada em um hospital. Ela chegou a ficar
amiga de várias enfermeiras.

Veja que na sequência ( 4 ) a palavra bolo é responsável pela coesão entre as duas frases, mas não retoma nenhum termo anterior. A coesão textual é feita por uma relação de idéia entre os termos. A mesma coesão lexical indireta se dá entre os termos carro/pneu e hospital/enfermeiras.




MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL - EXERCÍCIOS




Construa novas versões dos textos a seguir, utilizando, em relação às palavras destacadas, os mecanismos de coesão que julgar adequados:



1) As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os automóveis para vender os automóveis mais caro. O cliente vai à revendedora de automóveis com pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais caro o automóvel, desiste de comprar o automóvel, e as revendedoras de automóveis têm prejuízo.


2) A China é mesmo um país fascinante, onde tudo é dimensionado em termos gigantescos. A China é uma civilização milenar. A China abriga cerca de um quarto de toda a humanidade. Mencionar tudo o que a China, um tanto misteriosa, tem de grande ocuparia um espaço também exagerado.



3) Muita gente votou nas últimas eleições. Muita gente pensava que as coisas iriam mudar radicalmente, mas muita gente estava enganada. O Brasil parece que levará ainda um tempo muito grande para amadurecer. O que o Brasil precisa, entretanto, para chegar a ficar maduro, é manter arejada e viva a democracia com a ajuda de muita gente.




POSSÍVEIS RESPOSTAS




1) revendedoras de automóveis, automóveis, revendê-los, à concessionária, pelo produto, comprá-lo, agências

2) China, ( Omissão do termo A China ), O gigante amarelo, este enorme país

Muita gente, uma grande parte da população, várias pessoas, todos

sábado, 10 de outubro de 2009

Blog Dorado


UAU !!!!!!
Gostaria de agradecer à professora, bióloga e fotógrafa Daniela Torres, de Bragança, no Pará e ao seu Blog LELA ORCA por indicar-me como merecedor do BLOG DORADO. É dorado mesmo, gente, e não dourado.
Lela, muito sucesso a você e ao seu Blog!

Estratégias de Leitura

Como a leitura faz inúmeras solicitações simultâneas ao cérebro, é necessário desenvolver, consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertencer ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez. Trata-se de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva, que envolve:· decodificação de signos;· interpretação de itens lexicais e gramaticais;· agrupamento de palavras em blocos conceituais;· identificação de palavras-chave;· seleção e hierarquização de idéias;· associação com informações anteriores;· antecipação de informações;· elaboração de hipóteses;· construção de inferências;· controle de velocidade;· focalização da atenção;· avaliação do processo realizado;· reorientação dos próprios procedimentos mentais.Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva. A leitura não se esgota no momento em que se lê. Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto, explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito, produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas.Há procedimentos específicos de seleção e hierarquização da informação como:· observar títulos e subtítulos;· analisar ilustrações; · reconhecer elementos para textuais importantes (parágrafos, negritos, sublinhados, deslocamentos, enumerações, quadros, legendas etc.);· reconhecer e sublinhar palavras-chave;· identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos; · relacionar e integrar, sempre que possível, esses fragmentos a outros; · decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto;· tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos.Há também procedimentos de clarificação e simplificação das idéias do texto como:· construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos; · substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares;· reconhecer relações lexicais/ morfológicas/ sintáticas. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual, tais como:
· identificar o gênero ou a macroestrutura do texto;· ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema;· usar conhecimentos prévios extra textuais, pragmáticos e da estrutura do gênero.Um leitor maduro usa também, freqüentemente, procedimentos de controle e monitoramento da cognição e da atividade mental:· planejar objetivos pessoais significativos para a leitura;· controlar a atenção voluntária sobre o objetivo;· controlar a consciência constante sobre a atividade mental; · controlar o trajeto, o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos;· detectar erros no processo de decodificação e interpretação; · associar as unidades menores de significado a unidades maiores; · auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade; · aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto.Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura, outros na releitura. Há ainda aqueles que são concomitantes a outros, constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. É guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses, objetivos e intenções do leitor.



DICAS DE LEITURA DINÂMICA


1. Leitura de estudo (250 p.p.m.): Esta é a velocidade adequada para assegurar a compreensão, enfrentando textos complicados ou com vocabulário novo.
2. Leitura rápida (400-800 p.p.m.): Esta é a velocidade ideal para repasses, folhear relatórios, resumos e textos previamente lidos.

· Porque muita gente lê mais devagar do que poderia?

Por causa dos muitos maus hábitos de leitura que aprendemos desde criança. Um hábito é uma atividade repetitiva involuntária. A forma que lemos é um hábito. A boa notícia é que mudar um hábito de leitura é um processo simples, que requer um tempo relativamente curto, e que depende de nossas características particulares e da dedicação. Mais uma vez, a chave é praticar, praticar e praticar de novo!


Estes são alguns dos benefícios de incrementar a velocidade de leitura:


· Os hábitos de leitura que temos que tentar corrigir são:

1. Ler tudo com a mesma velocidade. Alguns textos são mais difíceis de compreender que outros. Temos que saber adaptar a velocidade de leitura ao nível de dificuldade do livro, e também ao propósito da mesma.
2. Ler devagar. Ler devagar fragmenta o material de leitura, ou seja, limita a perspectiva do que foi lido. Ler rápido permite captar conceitos com claridade.
3. Movimentos ineficientes dos olhos. Ao ler, as vezes os olhos tendem a regressar à linha que já foi lida. Também pode ocorrer que quando passamos de uma linha a outra, as vezes temos a tentação de vagar, em vez de passar diretamente à primeira palavra da seguinte linha.
4. Pouca superfície de fixação. Os olhos percebem entre 3 e 4 palavras cada vez que se fixam no texto. Este pequeno número de palavras que vemos é consequência da maneira que nos ensinaram a ler quando crianças: Palavra por palavra. Com treinamento, podemos chegar a ler, de uma só fixação até 12 palavras.
5. Reafirmação auditiva. A reafirmação auditiva consiste em recitar as palavras durante a leitura. Este é um mau hábito adquirido quando o professor nos fazia ler em voz alta, para ter a certeza de que estávamos aprendendo a relação entre as letras e os sons. A chave está em conseguir ler sem "dizer" as palavras, já que ao ler em voz alta limitamos a velocidade de leitura à velocidade da fala, que é muito mais lenta.
6. Distrações. As distrações internas e externas são verdadeiras "assassinas" da compreensão, já que rompem nossa concentração e nos obrigam a ter que reiniciar a leitura várias vezes.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Exercícios sobre Pontuação

Aqui estão algumas orações sem a devida pontuação. O desafio é pontuá-las adequadamente. E Então?

1. Maria toma banho porque sua mãe disse ela dê-me a toalha
2. O pastor come grama a ovelha pasta
3. João foi para casa comer Maria sua mulher depois foi ao shopping


RESPOSTAS

1. Maria toma banho porque sua. Mãe, disse ela: dê-me a toalha!
2. O pastor come. Grama, a ovelha pasta.
3. João foi para casa comer. Maria, sua mulher, depois foi ao shopping.




O TESTAMENTO


Um homem rico, sem filhos, muito enfermo num leito de hospital, sentindo
que estava prestes a morrer, pediu papel e caneta e escreveu um bilhete que seria seu testamento. Não teve tempo de pontuar. Morreu. Eram quatro os concorrentes à fortuna. O advogado tirou quatro cópias e deu uma para cada possível beneficiário. Cada um, claro, tentou tirar proveito da situação. Faça, abaixo, a pontuação adequada do ponto de vista de cada concorrente!

Chegou o sobrinho e fez estas pontuações em sua cópia:

“ DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO AO MEU SOBRINHO
JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO MECÂNICO NADA DOU
AOS POBRES “

A irmã do falecido chegou logo em seguida e pontuou sua cópia assim:


“ DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO AO MEU SOBRINHO
JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO MECÂNICO NADA DOU
AOS POBRES “

Apareceu também o mecânico e logo pontuou:


“ DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO AO MEU SOBRINHO
JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO MECÂNICO NADA DOU
AOS POBRES “

De repente entraram os pobres da cidade. Um deles mais sabido, tomou a cópia e resolveu pontuar assim:

“ DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO AO MEU SOBRINHO
JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO MECÂNICO NADA DOU
AOS POBRES “


E então, conseguiu pontuar? Vamos conferir suas respostas?


Sobrinho:

DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO. AO MEU SOBRINHO.
JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO MECÂNICO. NADA DOU AOS POBRES.”

Irmã:

“ DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ. NÃO AO MEU SOBRINHO.
JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO MECÂNICO. NADA DOU
AOS POBRES. “

Mecânico:

“ DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO. AO MEU SOBRINHO
JAMAIS. SERÁ PAGA A CONTA DO MECÂNICO. NADA DOU
AOS POBRES. “

Pobres:

“ DEIXO MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO. AO MEU SOBRINHO
JAMAIS. SERÁ PAGA A CONTA DO MECÂNICO NADA. DOU
AOS POBRES. “

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Funções da Linguagem

Segundo a Teoria da Comunicação, toda mensagem tem uma finalidade predominante que pode ser a transmissão de informação, o estabelecimento puro e simples de uma relação comunicativa, a expressão de emoções, e assim por diante. O conjunto dessas finalidades tem sido entendido sob o rótulo geral de funções da linguagem. O lingüista russo Roman Jakobson, propôs, em 1969, um modelo explicativo para o processo de comunicação verbal baseado em seis fatores:



1. FUNÇÃO REFERENCIAL OU DENOTATIVA

Dá ênfase ao contexto. O objetivo da mensagem é a transmissão de informação sobre a realidade ou sobre um elemento a ser designado. Aponta para o sentido real das coisas e dos seres. O trecho a seguir, com um conteúdo essencialmente informativo, exemplifica essa função.

“À noite, vemos a lua no céu”.

“Minúsculas lâminas de ouro encontradas em sítios arqueológicos na Escandinávia permitem que se saiba mais sobre a vestimenta, os cortes de cabelo e as práticas religiosas dos vikings”.


2. FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA

Dá ênfase ao emissor. O objetivo da mensagem é a expressão das emoções, atitudes, estados de espírito do remetente com relação ao que se fala.

“ Que lua maravilhosa!”...

“ Estou desesperado e sem saber o que fazer. Sem comida e sem água, todos estão doentes e não consigo sair da tenda”.



3. FUNÇÃO CONATIVA OU APELATIVA

Dá ênfase ao receptor. O objetivo da mensagem é persuadir o destinatário, influenciando-o.

“O Brasil vive um momento ideal para que os planos se tornem ações e as teorias partam para a prática. Cada brasileiro comprou para si a briga contra a fome. E o povo brasileiro conta com o apoio da sua empresa nessa luta.
Esta é a hora de mostrar sua responsabilidade social para com as comunidades mais carentes. Alimentar o Brasil é trabalho para um país inteiro. Mãos à obra.”


4. FUNÇÃO FÁTICA OU DE CONTATO

Dá ênfase ao contato entre o emissor e o receptor. Visa a estabelecer, prolongar, ou interromper a comunicação e serve para testar a eficiência do canal.

“Alô, alô, astronautas. Vocês conseguem me ouvir?”

- Juca!
- E aí, meu...
- Beleza?
- É isso aí, mano!


5. FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

Dá ênfase ao código. O objetivo da mensagem é falar sobre o própria linguagem. Consiste numa recodificação e passa a existir quando a linguagem fala dela mesma. Serve para verificar se emissor e receptor estão usando o mesmo repertório. Um exemplo evidente são as definições de verbetes encontrados nos dicionários.

“Lua: é o satélite natural da Terra.”

“Metalinguagem: linguagem que serve para descrever ou falar sobre uma outra linguagem, natural ou artificial.”


6. FUNÇÃO POÉTICA

Dá ênfase à mensagem. Aqui, a mensagem é mais centrada como fim do que meio. Opõe-se à função referencial porque nela predominam a conotação e o subjetivismo.

“A lua era um desparrame de prata.”

“Solidão é uma ilha com saudade de barco.”


Nos poemas, é muito freqüente a manifestação da função poética da linguagem. Ela também pode aparecer nos jogos de linguagem, nas propagandas.

OBS: É importante lembrar que uma mesma mensagem pode ter diferentes funções. Nesses casos, cabe identificar sua função principal, pois sempre há predominância de uma função sobre as demais.


EXERCÍCIOS

Identifique a função predominante nos trechos a seguir.

A) - Bom dia!
- Bom dia... ( Fática )


B) “Compre tecidos nas Casas José Araújo, onde quem manda é
o freguês!” ( Conativa/Apelativa )

C) “Ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados.”
( Metalingüística )

D) “Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente”.
( Poética )

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Elementos da Comunicação

1. FONTE: é a origem da mensagem. Ao enviar um telegrama, será fonte o redator do mesmo.

2. EMISSOR: é quem envia a mensagem através da palavra oral ou escrita, gestos, expressões,desenhos etc. pode ser também uma organização informativa, como rádio, TV, estúdio cinematográfico. Ao enviar um telegrama, será emissor o telegrafista que codifica a mensagem.

3. MENSAGEM: é o que a fonte deseja transmitir, podendo se visual, auditiva ou audiovisual. Serve-se de um código que deve ser estruturado e decifrado. É preciso que a mensagem tenha conteúdo, objetivos e use canal apropriado. Num telegrama, por exemplo, a mensagem é o texto.

4. RECEPTOR: é um elemento muito importante no processo. Pode ser a pessoa que lê, que ouve, um pequeno grupo, um auditório ou uma multidão. Ao recebedor cabe decodificar a mensagem e dele dependerá, em termos, o êxito da comunicação. Temos que considerar, nesse caso, os agentes externos que independem do recebedor ( ruídos e entropia ). Ao enviar um telegrama, o recebedor será o telegrafista que decodifica a mensagem.

5. DESTINO: pessoa ou pessoas a quem a mensagem é dirigida. Ao ser enviado um telegrama, por exemplo, o destino será o destinatário.

6. CANAL: é a forma utilizada pela fonte para enviar a mensagem. Ele deve ser escolhido cuidadosamente, para assegurar a eficiência e o bom êxito da comunicação. O canal pode ser Natural, quando são utilizados os órgãos sensoriais. Tecnológico Espacial, quando leva a mensagem de um lugar para o outro, como o rádio, telefone, TV, fax, internet. Tecnológico Temporal, quando transporta a mensagem de uma época para outra, como os textos, livros, discos, fotografias, fitas gravadas.


7. CÓDIGO: é um conjunto de sinais estruturados. O código pode ser Verbal, quando utiliza a palavra falada ou escrita. Por exemplo, a língua portuguesa, inglesa, francesa. Não-verbal , quando não utiliza a palavra. Por exemplo gestos, sinais de trânsito, expressão facial etc.

8. RUÍDO: é toda interferência indesejável na transmissão de uma mensagem. Exemplo: um borrão na mensagem escrita , uma sirene durante um diálogo etc.

9. ENTROPIA: é a desorganização da mensagem. Durante um ato de comunicação, uma tradução, por exemplo, a mensagem chega truncada, com palavras fora de ordem. Exemplo: Eu menina uma vi.

OBS: Preste atenção, porque, muitas vezes, a fonte coincide com o emissor e o destino coincide com o receptor.


EXERCÍCIOS


De acordo com os textos abaixo, identifique os seguintes elementos da comunicação:


“ Um menino, jogando bola na rua, quebra a vidraça do Sr. Manuel. Furioso, ele grita :
- Moleque danado. Seu pai vai ter que pagar!
O garoto, então, foge em disparada.”

a. Emissor: Sr. Manuel
b. Mensagem: Moleque danado. Seu pai vai ter que pagar!
c. Receptor: O menino
d. Canal: Natural (A fala )
e. Código: Verbal ( Língua portuguesa )

“ Mary saiu cedo para o trabalho e deixou , na porta da geladeira, um bilhete para sua filha Suzy: ‘I Love you, darling!’.

a. Emissor: Mary
b. Mensagem: I love you, darling!
c. Receptor: Suzy
d. Canal: Tecnológico temporal ( a escrita/bilhete )
e. Código: Verbal ( Língua inglesa )

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Comunicação: Conceito e Classificação

A comunicação pode ser considerada o processo social básico, primário, porque é ela que torna possível a própria vida em sociedade. Vida em sociedade significa intercâmbio. E todo intercâmbio entre os seres humanos só se realiza por meio da comunicação. A comunicação preside, rege, todas as relações humanas. O que é produzido e vendido pela comunicação? Uma mercadoria cada vez mais valiosa, apesar de imaterial: informação, ou seja, notícias, dados, idéias, conhecimento, ficção, cultura, arte.


O Conceito

É uma dessas coisas que todo mundo sabe o que é, mas ninguém consegue definir com precisão. Ato de comunicar algo ou de comunicar-se (com alguém). O verbo vem do latim communicare, que significa participar, fazer, saber, tornar comum. Quando eu comunico alguma coisa a alguém essa coisa se torna comum a ambos. Quando se publica uma notícia ela passa a fazer parte da comunidade. Comunicação, comunhão, comunidade são palavras que têm a mesma raiz e estão relacionadas à mesma idéia de algo compartilhado.

A etimologia da palavra sugere que se trate de um conceito eminentemente social na sua origem. Assim sendo, em primeiro lugar, diz respeito ao homem. Em segundo lugar, trata-se de um fenômeno concreto, objetivo, que ocorre quando um ser A transfere uma informação a um ser B. Em terceiro lugar, a comunicação seria um processo ativo, ou seja, envolve na sua essência um propósito, que é o de se influenciar outro ser, modificar seu comportamento, obter uma resposta.
Em quarto lugar, a tendência da relação comunicativa a se fechar em círculo, ou mais propriamente a evoluir segundo um espiral de influências.

Mas o termo comunicação, com o tempo, perdeu toda a nitidez conceitual e adquiriu significados muito amplos e variados. Pode se aplicar o termo hoje a tudo o que signifique contato, ligação, relação, união, passagem, além de diálogo, entendimento, contágio e convívio.

Chamar o elevador é comunicação? Fazer contas na máquina de calcular é comunicação? Será que nos comunicamos com o computador e ele conosco?



Comunicação e interpretação


Parte-se da premissa de que nem tudo é comunicação. Em função deste critério, é importante, logo de início, distinguir comunicação de falsas situações de comunicação. Exemplo:
Um menino perdido na floresta. De repente, ele vê o céu escurecer, relâmpagos, trovões, e conclui que vai cair um toró na sua cabeça. Essa mudança meteorológica a que ele assiste é uma situação de comunicação? Se for, quem seria o emissor? A natureza? Não! A natureza não tem um propósito, para a racionalidade do homem, de ter o propósito de passar uma informação. Agora suponhamos que o menino chega diante de um vale e vê fumaça de uma chaminé ao longe, concluindo que está salvo: também não se trata de comunicação, pelo mesmo motivo.
Pessoas cozinhando o almoço na sua casa não podem ser consideradas emissores e alguma mensagem endereçada ao garoto perdido. Suponhamos agora que o menino faça uma fogueira para sinalizar sua presença. Isso é comunicação? Neste caso temos o emissor e a mensagem, mas falta ainda o receptor. Depende, pois, de que a fumaça seja vista e interpretada como pedido de socorro, porque se um helicóptero da polícia sobrevoar o local e seus ocupantes acharem que se trata apenas de mais um foco de incêndio, não se efetivou a comunicação.

O exemplo anterior é o contrário de placas que limitam a velocidade, por exemplo, que indicam curvas à direita ou à esquerda e alertam para a proximidade de um posto de pedágio – exemplos claros de comunicação visual.

É difícil saber se o comportamento humano é intencional ou não, mesmo que, segundo a psicanálise, existem as intenções inconscientes. Por isso é preciso classificar tudo o que o homem faz em sociedade. Até mesmo o silêncio, é comunicação. Pode significar concordância, indiferença, desprezo, etc.




TIPOS DE COMUNICAÇÃO HUMANA


Classificação 1

Existe a comunicação do dia-a-dia, a comunicação ESPONTÂNEA informal entre as pessoas, através da fala, do gesto, do telefonema, da carta. E existe a comunicação PROFISSIONAL. A atividade do jornalista, do publicitário, do desenhista, escritor, fotógrafo. A diferença é que a ÚLTIMA exige aprendizado técnico e teórico. Há 4 formas distintas de comunicação PROFISSIONAL no mercado. Elas se distinguem pela finalidade, pelos objetivos.

- Comunicação persuasiva – representada pela propaganda, pela publicidade, pelo discurso político. Seu objetivo é persuadir, convencer, vender uma idéia.

- Comunicação artístico-cultural – representada pelo cinema, teatro, novela, rádio, show, circo, folclore. O objetivo é o entretenimento, a cultura e a arte. Literatura, poesia, pintura, escultura e todas as artes tradicionais.

- Comunicação Jornalística – representada pelo jornal, revista, TV, rádio, pelas agências de notícias. O objetivo é informar o que acontece, de acordo com o critério público do fato.

- Comunicação educativa – representada pelos livros didáticos, pelos telecursos, pelas aulas, palestras, cursos de línguas. O objetivo é ensinar, transmitir conhecimento.


Classificação 2

Segundo o órgão sensorial usado pelo receptor para capturar a mensagem, existe, naturalmente, 5 categorias de comunicação humana:

Comunicação visual – sinalização de trânsito, rodoviária, ferroviária, marítima, aeroviária, escrita, gestos, desenho, propaganda, fotografia, pintura, escultura.

Comunicação sonora (ou auditiva) – fala, música, cornetas, apitos, sinos, buzinas, alarmes, aplausos, gritos, vaias.

Comunicação tátil – escrita braile, aperto de mãos, abraços, beijos.

Comunicação olfativa – odores (perfume) na função de mensagens. È mais usada pelos animais.

Comunicação gustativa – sabores como mensagens (oferecer à namorada bombons de chocolate prediletos).


A SONORA é a mais prática, econômica e fácil. Especialmente por meio da fala, que não requer instrumento artificial algum, utiliza apenas o aparelho vocal humano. Mas vantajosa mesmo, no entanto, é a combinação da visual com a sonora, para forma a poderosa comunicação audiovisual (cinema, TV, show).


Classificação 3

Segundo a quantidade de pessoas envolvidas no processo da comunicação, desde a menor até a maior, a comunicação humana pode ser:

Intrapessoal – quando uma pessoa se comunica consigo mesma (agenda, diário, lembrete na porta do quarto).
Interpessoal – quando a pessoa se comunica com outra (conversa entre dois colegas).
Intergrupal – quando as mensagens circulam entre grupos (turmas de alunos, bancadas de partidos, nações).
Intragrupal – quando as mensagens circulam dentro de um grupo (alunos elegendo o representante de turma).


COMUNICAÇÃO DE MASSA – quando as mensagens são dirigidas ao grande público por meio do rádio, TV, cinema, jornal, revista. É a mais ampla porque pode atingir simultaneamente até bilhões de pessoas nos mais diferentes pontos do Mundo ( nas Olimpíadas, Copa do Mundo).



Classificação 4


A comunicação humana pode ser direta – emissor e receptor de frente um para o outro e indireta, quando o emissor está distante do receptor e precisa usar um meio artificial (carta, telefone, e-mail, rádio, televisão) para alcançá-lo.


Classificação 5

Para que haja comunicação, evidentemente não é preciso que o receptor responda ao emissor, ou seja, que exista uma troca de mensagens. Você pode mandar uma carta, um e-mail, e não obter resposta. Quando a comunicação é de mão única, ou pelo menos quando o emissor emite muito mais do que recebe (um general falando à tropa) temos a comunicação unidirecional. Pelo contrário, a comunicação bidirecional é aquela de mão dupla, em que a participação do emissor e do receptor é mais ou menos equivalente (conversa, reunião, debate).

Classificação 6


A comunicação humana pode ser dividida em particular ou fechada (entre namorados, por exemplo), e pública ou aberta (comício na praça, televisão).






Fonte: Curso básico de Teoria da comunicação
José Haroldo Pereira
Ed. Universidade, Rio de Janeiro, RJ: 3ª. ed. 2005

Textos: Tipos e Exemplos

TEXTO DESCRITIVO




“Ali naquela casa de muitas janelas e bandeiras coloridas vivia Rosalina. Casa de gente de casta, segundo eles antigamente. Ainda conserva a imponência e o
porte senhorial, o ar solarengo que o tempo de todo não comeu. As cores das janelas e da porta estão lavadas de velhas, o reboco caído em alguns trechos como grandes placas de ferida, mostra mesmo as pedras e os tijolos e as taipas de sua carne e ossos, feitos para durar toda a vida; vidros quebrados nas vidraças, resultado do ataque da meninada nos dias de reinação, quando vinham provocar Rosalina ( não de propósito e ruindade, mas sem-que-fazer de menino ), escondida detrás das cortinas e reposteiros; nos peitoris das sacadas de ferro rendilhado, formando flores estilizadas, setas, volutas, esses e gregas, faltam muitas das pinhas de cristal facetado cor-de-vinho que arrematavam nas cantoneiras a leveza daqueles balcões.”

( DOURADO, Autran. Ópera dos mortos. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 1975, p. 1-2. )






TEXTO NARRATIVO



O casal chegou à cidade tarde da noite. Estavam cansados da viagem; ela, grávida, não se sentia bem. Foram procurar um lugar onde passar a noite. Hotel, hospedaria, qualquer coisa serviria, desde que não fosse muito caro.
Não seria muito fácil, como eles logo descobriram. No primeiro hotel, o gerente, homem de maus modos, foi logo dizendo que não havia lugar. No segundo, o encarregado da portaria olhou com desconfiança o casal e resolveu pedir documentos. O homem disse que não tinha; na pressa da viagem esquecera os documentos.
O viajante tomou a esposa pelo braço e seguiu adiante . no terceiro hotel também não havia vagas. No quarto – que era mais uma modesta hospedaria – havia, mas o dono desconfiou do casal e resolveu dizer que o estabelecimento estava lotado. No hotel seguinte também não havia vaga , e o gerente, metido a engraçado, disse para hospedarem-se ali perto numa manjedoura, pois, apesar de não ser confortável, não pagariam diária. Para surpresa do gerente, o viajante achou a idéia boa e até agradeceu.
Não demorou muito, apareceram os três reis magos, perguntando sobre um casal de forasteiros. E foi aí que o gerente começou a achar que talvez tivesse perdido os hóspedes mais importantes já chegados a Belém de Nazaré.

( SCLIAR, Moacyr. A massagista japonesa. Porto Alegre: L&PM, 1984, p. 49-50 )



TEXTO DISSERTATIVO


Conhecimento científico e tecnologia


Em sentido amplo, conhecimento é o atributo que tem o homem de reagir frente ao que o cerca. Dessa forma, podemos distinguir três tipos de conhecimento: o empírico, o científico e o filosófico.
Com relação ao primeiro, constatamos que, através dele, se apreende a aparência das coisas.Assim, observamos que o conhecimento empírico está situado na esfera do particular.
Quanto ao conhecimento filosófico, percebemos que o mesmo vai buscar a essência do ser, já que o cientista, permanecendo na faixa di físico, não consegue atingi-la.
Em se tratando, porém, do conhecimento científico, observamos que o mesmo é orientado, sistemático e formal. A pesquisa científica exige método e ordenação. Conhecer alguma coisa é analisá-la profundamente, obedecendo a uma série de etapas e fatores. Essa persistência na busca é que vai permitir ao espírito científico equacionar os problemas.
Ciência e tecnologia precisam caminhar juntas, pois são dois seres que se completam, formando um todo homogêneo que, em última análise, deveria visar ao progresso do homem e ao bem comum.
Assim, concluímos que, se o conhecimento empírico é insuficiente para chegarmos aos universais, o conhecimento científico, embora suporte da tecnologia, apresenta as suas limitações. E, para se autojustificar, necessita do amparo de um conhecimento mais alto: o filosófico.





TEXTO INJUNTIVO


Instalando os cartuchos HP na impressora.

1.Verifique o conteúdo da caixa.
2.Após conectar o cabo de instalação, ligue a impressora.
3.Carregue papel branco comum.
4.Pressione o botão ligar.
5.Abra a porta dos cartuchos e verifique se o carro de impressão está no centro.
6.Remova as fitas adesivas dos cartuchos.
7.Segure os cartuchos com o logotipo para cima.
8.Insira-os nos slots, certificando-se de empurrá-los até ouvir um “clic”.
9.feche a porta dos cartuchos de impressão.
10.Aguarde alguns instantes até que a página de alinhamento seja impressa.
11.Coloque-a voltada para baixo no vidro da impressora e feche a tampa.
12.Pressione o botão “digitalizar”.
13.Aguarde até que a luz verde pare de piscar. A impressora está pronta para o uso!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dicas para uma boa redação

Não pense que fazer uma redação requer apenas inspiração. Ela é só dez por cento deste trabalho. Na verdade, os outros noventa por cento vem da transpiração mesmo. Um bom tema ajuda bastante na hora de redigir, mas só escrever, sem colocar em prática as normas da lingua, é fazer o serviço pela metade. Portanto, é na redação, que o aluno/candidato exibe seus conhecimentos, mostrando de fato um pouco de si mesmo. Acha tudo isso muito difícil? Então pegue caneta e papel e inicie já. Comece por um rascunho, depois corrija os erros e defeitos do seu texto, quantas vezes forem necessários, até perceber que ele não precisa mais de correções.
Lembre-se: sem praticar não há como fazer uma boa redação!
Aqui seguem algumas dicas que vão ajudar na hora de redigir:
1. Ortografia: procure escrever as palavras de forma correta. Se tiver dificuldades, consulte um dicionário. Ele é sempre um ótimo amigo nessas horas.
2. Caligrafia: se o texto tiver que ser manuscrito, tenha o máximo de cuidado. Procure escrever de forma legível, evitando rabiscos ou letras de forma.
3. Correção: evidentemente que numa redação você deve obedecer às regras da língua, primando sempre pelo uso da norma culta. Na dúvida, é muito bom ter uma gramática por perto.
4. Clareza: no texto, as palavras devem estar bem colocadas, para que as ideias sejam bem compreendidas, facilitando assim a leitura.
5. Concisão: ser conciso significa ir direto ao assunto. Não dá para ficar "enrolando" o texto com palavras bonitas ou difíceis. Com poucas palavras é possível explicar muita coisa, sem ter o perigo de se perder no seu próprio labirinto vocabular. Usar palavras desnecessárias é ser prolixo, e prolixidade deve ser evitado em uma redação.
6. Elegância: é, em última análise, o resultado final obtido quando se observam as qualidades e se evitam os defeitos. Lembre-se que a estética faz parte de uma boa redação. Nada de folha amassada, rasurada, desenhos ou enfeites. Muita atenção às margens da página e à quantidade de linhas ( em média 25 a 30 ). Também deve-se observar a divisão paragrafal ( pelo menos 3 ).
7. Ambiguidade: evite ser ambíguo. Este vício ocorre quando uma palavra ou frase pode ter mais de um sentido. Pontue corretamente , escolha palavras adequadas e evite as más colocações. ( A não ser que em um anúncio publicitário, por exemplo, a ambiguidade seja proposital. )
8. Obscuridade: é a falta de clareza. Ocorre geralmente nos trechos longos, com expressões truncadas, falhas na pontuação ou o abuso de linguagem rebuscada. A repetição de termos ou ideias já escritas anteriormente ( pleonasmo ) deve ser evitada. Atente também à repetição de sons semelhantes (eco) e ao som desagradável de algumas combinações de palavras ( cacofonia ).

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Novo Acordo Ortográfico

O que muda com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa?



O Alfabeto

As letras k, w e y são acrescentadas ao alfabeto da língua portuguesa.


Letras Maiúsculas e Minúsculas

Empregam-se, facultativamente, nos vocábulos que compõem uma citação bibliográfica, formas de tratamento e reverência ou nomes sagrados, com exceção do primeiro vocábulo e dos grafados obrigatoriamente com maiúsculas.

Casa-grande e Senzala ou Casa-grande e senzala.
A Loja da Dona Raposa ou A loja da dona raposa.
Senhor Pedro ou senhor Pedro.
Papa Bento XVI ou papa Bento XVI.
Excelentíssimo Senhor Reitor ou excelentíssimo senhor reitor.


Acentuação Gráfica

* Foi eliminado a acento agudo das palavras paroxítonas formadas pelos ditongos ei e oi nas sílabas tônicas.

assembléia, Coréia, idéia, jibóia, jóia, heróico
assembleia, Coreia, ideia, jiboia, joia, heroico

* Quando a sílaba tônica de uma palavra paroxítona for formada pelas vogais i e u precedidas de ditongo, o acento agudo também desaparece.

baiúca, feiúra, Sauípe > baiuca, feiura, Sauipe

* Foi eliminado a acento circunflexo das formas verbais paroxítonas formadas pelos hiatos oo ou ee.

vôo, enjôo, perdôo, crêem, lêem, vêem
voo, enjoo, pordoo, creem, leem, veem



* O acento gráfico agudo ou circunflexo não será mais usado para distinguir palavras homógrafas.

pára, pélo, pólo, pêra, > para, pelo, polo, pera

* O trema foi extinto, sendo mantido apenas em nomes próprios de origem estrangeira.

agüentar, bilíngüe, cinqüenta, lingüiça, seqüestro
aguentar, bilíngue, cinquenta, linguiça, sequestro



O Hífen será usado

* Em palavras formadas por prefixos quando o segundo elemento começar por h.

anti-higiênico, extra-humano, neo-helênico, co-herdeiro, pré-história, semi-hospitalar, sub-hepático, super-homem

* Quando o prefixo termina na mesma vogal que inicia o segundo elemento.

Anti-ibérico, auto-observação, contra-almirante, micro-onda, micro-organismo, semi-interno, supra-auricular

* Em palavras formadas pelos prefixos ex e vice.

ex-almirante, ex-diretor, vice-reitor, vice-presidente

* Em palavras formadas pelos prefixos circum ou pan iniciadas por vogal, m ou n.

circum-escolar, circum-navegação, pan-americano, pan-africano

* Em palavras formadas pelos prefixos hiper, inter e super quando o segundo elemento começar por r.

hiper-realista, hiper-requintado,inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-resistente

* Para ligar duas ou mais palavras que formam encadeamentos vocabulares.

ponte Rio-Niterói, percurso São Paulo-Santos, relação professor-aluno, noções de ensino-aprendizagem



O hífen não será mais usado


* Em palavras formadas de prefixos terminados em vogal e seguido por r ou s. Com o novo Acordo, essas consoantes serão dobradas.

ante-sala, auto-retrato, anti-social, ultra-sonografia, contra-senso
antessala, autorretrato, antissocial, ultrassonografia, contrassenso

* Em palavras formadas de prefixos terminados em vogal acompanhados de vogal diferente.

anti-aéreo, auto-ajuda, infra-estrutura, neo-impressionista
antiaéreo, autoajuda, infraestrutura, neoimpressionista

* Palavras compostas em que, devido ao uso, perdeu-se a noção de composição.

manda-chuva, pára-quedas, pára-lamas, pára-choque, pára-vento
mandachuva, paraquedas, paralama, parachoque, paravento

( Resolução no. 17, de 7 de maio de 2008. )

sábado, 12 de setembro de 2009

Má interpretação provoca respostas erradas !

Leia os três textos abaixo e veja a confusão que um termo mal compreendido provoca.



O W.C.


Certa vez, um casal de ingleses que estava visitando a Alemanha, resolveu parar para conhecer umas lindas casinhas que ficavam numa cidadezinha bem agradável. Olharam por fora, conversaram com o proprietário e decidiram ficar com uma delas para passar as próximas férias.
Regressando à Inglaterra, observaram atentamente a planta da casa e não encontraram o banheiro. Encabulada com o fato, a mulher redigiu uma carta ao proprietário, um pastor local, que dizia assim: “ Gentil pastor, sou membro da família que o visitou recentemente com a finalidade de alugar uma de suas casinhas para as próximas férias. Já que não dá para observar na planta, gostaria que o senhor me informasse onde fica o WC, tão útil a todos nós”.
O pastor, não entendendo o significado de WC, pensou tratar-se da White Chapel, uma igrejinha britânica das proximidades, e assim respondeu: “Gentil senhora, tenho o prazer de lhe informar que o referido local fica aproximadamente 6 quilômetros daqui.
É muito conveniente, sobretudo se a senhora tem o hábito freqüente de ir lá. Nestes casos é bom levar comida para ficar a manhã toda. Alguns vão de bicicleta, outros de carro, e alguns até a pé. O bom mesmo é tentar uma carona com os vizinhos. Na entrada é fornecida uma folhinha de papel, mas por força da crise, é recomendado dividi-la com outra pessoa. Esta folhinha também deve ser devolvida na saída para ser usada nos dias seguintes.Há lugar para oitenta pessoas sentadas, mas é preciso chegar cedo para não ficar de pé. É recomendado que só os adultos sentem, pois as crianças podem fazer suas atividades no chão mesmo. Imagine: aquele momento sublime com todos cantando alegremente e dando as mãos. É emocionante, não é? Os que não conseguem entrar e ficam do lado de fora podem acompanhar tudo através do sistema de som e do telão. Saiba que tudo que ali se faz é arrecadado para as crianças pobres da região. Ah, e os fotógrafos de plantão registram os melhores momentos e publicam no jornalzinho da cidade de modo que todos possam ver seus semelhantes no ato de um dever tão honrado”.




Luvas de Lembrança


O namorado está em Nova Iorque e resolve mandar um presente para sua namorada. Entra em uma loja finíssima, mas não sabe o que escolher. Observando a elegância das novas iorquinas mesmo no frio, resolve pegar um caríssimo par de luvas e mandar para ela.
Ele pede para que a balconista embrulhe com um lindo papel de presente, enquanto vai ao caixa pagar.
Descuidadamente, ela lhe entrega outro pacote, com o mesmo papel de embrulho, contendo dentro uma calcinha de nylon.
Sem saber do engano, o namorado envia o presente com um bilhete:
“ Querida. Para mostrar que mesmo estando longe não me esqueço de você, envio-lhe esta surpresa, mesmo sabendo que você não gosta de usar,
pois neste tempo todo que estamos juntos nunca te vi usando uma. Gostaria de estar aí para poder ajudá-la a vestir. Fiquei em dúvida quanto à cor, mas a balconista me falou que esta não descora nem mancha. Ela mesma experimentou para eu ver se ficou boa. Aprovei na hora. Acho que em você vai ficar um pouquinho larga na frente, mas ela disse que é normal, pois facilita para que os dedos se mexam mais à vontade. Depois de usá-la, vire pelo avesso e ponha um pouco de talco para evitar o mau cheiro por causa do suor, tá? Espero que você esteja tão satisfeita quanto eu, pois ela vai cobrir aquilo que em breve irei lhe pedir.



Seu ou Teu?


O Diretor Geral de um banco estava preocupado com um jovem e
brilhante Diretor, que depois de ter trabalhado durante algum tempo
com ele, sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se sempre ao meio-dia.
Então o Diretor Geral do banco, chamou um detetive e disse-lhe:
- Siga o Diretor Lopes durante uma semana, durante o horário de almoço.
O detetive, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:
- O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o seu carro, vai
a sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus
excelentes cubanos e regressa ao trabalho.
Responde o Diretor Geral:
- Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.
Logo em seguida o detetive pergunta:
- Desculpe. Posso tratá-lo por tu?
- Sim, claro. Respondeu o Diretor surpreso!
- Bom, então vou repetir: O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o teu carro, vai a tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes cubanos e regressa ao trabalho.

Que Dia !!!

Você é capaz de substituir as palavras grifadas por outras que façam sentido?

Claro que sim. Devido a um processo de dedução e associação entre o termo anterior e o posterior, podemos fazer isso sem maiores dificuldades. Vamos tentar no texto abaixo?



Que dia !!!



Ontem tive um dia horrível. Acordei tarde porque o brabulhos não tocou e acabei perdendo a nefraska. Vocueiopo tarde ao trabalho e tomei a maior muhanhei do chefe. Quase fui hubrajado.

Quando voptub para casa, esqueci que era o meu dia de rodízio e acabei
levando uma yagajutura. Daqui a pouco vão suspender minha naniska.
Como se não bastasse, minha loplitude estava de gusal humor e não fez nada para o jantar.

Encontrei meus dois proptikos dormindo. Dei um krijbo em cada um,
drihskt a luz, e klopts a porta.

Entrei no trabistaco, rihskt o frovelo, mas ele estava queimado. Tive que encarar a água gelada assim mesmo.

Como a fome apertou, fui à kroptina e elopribiki alguma coisa para comer. Meio desajeitado, tentei fazer um lacorel, mas acabei colocando muito pletzel no ovo e não deu para comê-lo. O pior é que o valtotski ficou tostado demais e acabei perdendo o apetite. Tomei um copo de truhb
e resolvi dormir.

Entrei no pilovoro em silêncio para não acordar a patroa e fui direto para
a kratna.


Então, achou difícil?
Lembre-se que há várias palavras que podem substituir as que estão grifadas.
Segue, em ordem, uma das possíveis respostas:

despertador - carona - cheguei - bronca - demitido - voltei - multa - habilitação - mulher - mal - filhos - beijo - desliguei - fechei - banheiro - liguei - chuveiro - cozinha - preparei - sanduíche - sal - pão - leite - quarto - cama

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A diferença entre Publicidade e Propaganda

A confusão entre os termos publicidade e propaganda no Brasil se originou quando as primeiras traduções foram feitas. Entenderam “advertising” como propaganda, logo quando alguém fazia a tradução de um livro sobre comunicação e marketing, os conceitos dos autores sobre o que é “advertising” eram convertidos e traduzidos como sendo os conceitos de propaganda. Na realidade o termo propaganda vem de seu homônimo em latim “propaganda”, que significa semear idéias e ideais de cunho político, cívico ou religioso. A propaganda tem caráter ideológico e tem como objetivo fazer adeptos, seguidores e converter opiniões. Na América do Norte, muitas vezes o termo “propaganda” é entendido como pejorativo, como uma espécie de lavagem cerebral e sempre com fins políticos e ou religiosos.
Já o termo publicidade, foi e por muitas vezes ainda é, confundido com os esforços de relações públicas, em gerar mídia espontânea e gratuita. Na realidade o termo publicidade pode ser entendido de maneira genérica como o ato de tornar público e mais especificamente como “advertising” ou seja, uma ferramenta de comunicação e marketing que tem como função e fim promover, utilizando os meios de comunicação nos espaços publicitários. Ou melhor, a ferramenta que utilizando os meios de comunicação e os espaços publicitários, com patrocinador identificado tem como fim seduzir e tornar público, levando o consumidor à compra de determinado produto ou serviço. Podemos dizer que, enquanto a propaganda tem cunho político, cívico ou religioso. A publicidade tem cunho comercial.
Para facilitar o entendimento da real diferenciação dos termos, vejamos o exemplo:- O governo Brasileiro faz uma campanha na TV para divulgar e promover a idéia da utilização de preservativos no combate a AIDS. Isso é propaganda. Se nessa mesma campanha fosse divulgada alguma marca de fabricante de preservativos, isso seria publicidade. Podemos portanto entender que, enquanto a publicidade é paga pelo fabricante ou distribuidor e em última instância pelo consumidor do produto proporcionalmente ao seu consumo, a propaganda é paga pelo cidadão, membro, fiel ou seguidor da instituição que a financia e não proporcionalmente ao seu consumo.

( Texto de Dennys Monteiro, publicado originalmente em www.rg9.org )

O que é comunicação?

Comunicação é a forma como as pessoas se relacionam entre si, dividindo e trocando experiências, idéias, sentimentos, informações, modificando mutuamente a sociedade onde estão inseridas. Sem a comunicação, cada um de nós seria um mundo isolado.Comunicar é tornar comum, podendo ser um ato de mão única, como TRANSMITIR (um emissor transmite uma informação a um receptor), ou de mão dupla, como COMPARTILHAR (emissores e receptores constroem o saber, a informação, e a transmitem). Comunicação é a representação de uma realidade. Serve para partilhar emoção, sentimento, informação.Quem comunica é a fonte e, do outro lado, está o receptor. O que se comunica é a mensagem. Pode ser vista, ouvida, tocada. As formas de mensagens podem ser: palavras, gestos, olhares, movimentos do corpo. As formas como as idéias são representadas são chamadas de signos. Em conjunto, formam os códigos: língua portuguesa, código Morse, Libras, sinais de trânsito.“Os meios são usados pelos interlocutores para transmitir sua mensagem. São eles: o artesão usa o barro, sua mão, sua voz para transmitir conhecimento ao filho. O locutor usa sua voz, o roteiro, o disco, a emissora de rádio, a fita gravada” (BORDENAVE).Antes do surgimento dos meios tecnológicos de transmissão de informação (TV, rádio, internet etc.), os meios de comunicação utilizados eram físicos, como os rios, navios, estradas etc.


Por que comunicar

A comunicação está contida no nosso ambiente social. Em uma conversa de botequim, em um gesto qualquer de reprovação, em um sinal de trânsito, em um espetáculo de dança ou em um diálogo entre surdos-mudos, só para citar alguns exemplos. É impossível dissociar nossa vida, nossas necessidades, da comunicação.“Estudos feitos durante greves de jornais demonstram a intensidade dos sentimentos de privação e frustração que se desenvolvem quando a leitores habituados lhes falta a leitura diária” (BORDENAVE).Estudos também revelam que os meios de comunicação exercem influências positivas e negativas na vida das pessoas. Ex.: jornais podem ajudar na tomada de decisão importante, propiciar o estabelecimento de contatos sociais, dar status (atributo intangível). Novelas fazem “companhia” às pessoas, propiciam uma catarse emocional. Através das novelas, as pessoas aliviam carências, fracassos.



Como evoluiu a comunicação

Por meio do grunhido, o homem primitivo imitava os sons da natureza (canto dos pássaros, latidos, trovão). É possível que não produzissem som apenas pela boca, mas também com as mãos, pés ou a partir de objetos. O homem evolui fisiologicamente até a libertação das mãos (homo erectus). A posição ereta vertical possibilitaria a valorização da linguagem gestual. A voz é transformada em fala.Os homens encontraram uma forma de associar um som ou objeto a um gesto ou ação. Assim nasceu o signo, que é qualquer coisa que faça referência a outra coisa, dando-lhe uma significação. Os signos podem ser representados por símbolos (objetos físicos que dão significação moral. Ex.: bandeira e hino nacional, mulher cega segurando uma balança, alianças do casal)e sinais (indícios que possibilitam conhecer, reconhecer ou prever algo. Ex.: Sinais de trânsito, sinais ortográficos, sinais de luzes nos aeroportos, nas traseiras dos carros, luz de freio etc. O homem também descobre seus sinais: pegadas humanas na praia são indícios de que alguém esteve ali, dor nas articulações é indício de que vai chover). A atribuição de significados a determinados signos é a base da linguagem.Uma grande invenção do homem foi a gramática, que passou a ordenar o conjunto de regras para relacionar os signos entre si. A gramática ordenou a estrutura da apresentação dos signos. É por isso que dizer “Presidente Lula abandona o vício de beber” é diferente de dizer “O vício de beber abandona o presidente Lula”.Como vimos, as primeiras formas de comunicação humana foram oral e gestual. Porém, a linguagem oral sofria da falta de permanência (perdia-se no tempo) e de alcance (não atingia longas distâncias). Para fixar seus signos o homem valeu-se dos desenhos e, mais tarde, da escrita.Já para alcançar longas distâncias o homem recorreu a signos sonoros e visuais: berrante, sinal de fumaça, sons originados de instrumentos de percussão (tribos), desenhos, monumentos (moais).O problema da permanência e da distância foi resolvido com o surgimento da escrita (5.000 a.C.), já que a mensagem escrita pode ser transportada a qualquer distância. Assim, temos a comunicação direta, feita por meio de palavras e gestos, e a comunicação à distância, feita por meio de sons, sinais, manifestações culturais. Uma dessas manifestações culturais pode ser observada entre os fiéis de uma igreja. Para a igreja, as imagens eram tão importantes que um beijo de um iletrado em uma estátua equivalia à mesma devoção daqueles que sabiam ler (Papa Gregório, o Grande. a.C. 540 – 604).É comum dizermos que estamos na era da imagem. Grande equívoco. Durante muito tempo a cultura foi difundida por meio da imagem, importante forma de comunicação e de propaganda no mundo antigo (Roma). Para os cristãos, a imagem era uma forma de comunicação e de persuasão. Muitos acham que este é um fenômeno moderno, mas, durante a Idade média, só os monges tinham acesso à linguagem escrita. Toda a fé religiosa era retratada nas pinturas e nos vitrais das igrejas.

Evolução da linguagem escrita

A linguagem escrita era representada por meio de pictogramas (3.300 a.C.), signos que correspondem à imagem gráfica (desenho). Os sumérios foram os primeiros a usar a escrita (Ex.: hieróglifos do Antigo Egito). A Suméria é civilização mais antiga da humanidade, localizada no sul da Mesopotâmia, entre o rio Tigre e Eufrates, onde hoje está o Iraque (Oriente Médio). Foi nessa região que se deu grande passo para o desenvolvimento da linguagem, porque era rica economicamente e intensa em atividades mercantis. Ali circulavam textos administrativos, econômicos e religiosos. Entretanto, ler e escrever era tarefa dada a peritos (escribas), que levavam muitos anos para aprender os significados dos sinais cuneiformes (escritos com objetos em forma de cunha). Isso divide a sociedade entre os que saber ler e os que não sabem.O homem teve a necessidade de ampliar o significado dos signos e estes passaram a corresponder a idéias e não mais a palavras isoladas. Esse tipo de escrita recebeu o nome de ideográfica, assim como os ideogramas chineses e japoneses (Ex.: para os índios da América do Norte, pássaro voando = pressa. Para os antigos egípcios, pássaro com cabeça de homem = alma).O homem percebeu que os signos gráficos, que eram representados pela palavra, possuíam som (fonema). Os sons são representados por unidades menores que as palavras. Nascia o conceito de letra (A, B, C...) e, por conseqüência, o alfabeto (2.000 a C). Com isso qualquer pessoa podia aprender o som sem necessariamente conhecer o signo ou o seu significado. O alfabeto é o estágio final da evolução da escrita.Como transportar signos a distância seria o próximo passo a evoluir. Depois de escrever em pedras, rocha calcária, linho (o mesmo que envolvia as múmias), papiro e pergaminho de couro de animal, era preciso inventar um suporte mais prático. Os chineses parecem ter sido os primeiros a inventar o papel (século II d.C.) e os tipos de imprensa móveis, feitos de barro cozido, estanho, madeira ou bronze.Na China e no Japão, já no século VIII, era utilizado um método de impressão chamado de “impressão de bloco”, no qual era usado um bloco de madeira entalhada para imprimir uma única página de um único texto.

O homem e a escrita

A escrita melhora a comunicação humana, possibilitando ganhos em relação à comunicação oral ou por meio dos monumentos. A mensagem adquire durabilidade, profundidade e clareza, podendo ser lira, relida, criticada e modificada a qualquer tempo. O homem utiliza a escrita para documentar seus feitos e conquistas. A escrita impulsiona o desenvolvimento das artes, da literatura e da ciência.A partir da escrita, a sociedade passa a acumular conhecimento e pode reunir experiências do passado para difundir entre a sociedade vigente. O homem também pode descrever o presente, sem que as informações se percam.Porém, as classes dirigentes percebem o poder da escrita e a monopolizam. Após a queda do Império Romano (que ocorre com a invasão bárbara, 480 a.C.), a igreja guarda os escritos nos monastérios.Durante mil anos, praticamente reduzida à forma latina, a escrita será o instrumento da reconstrução do Ocidente sob o monopólio do cristianismo.A civilização medieval na Europa não é manuscrita porque esta é monopolizada pela classe sacerdotal. A igreja vigia o que é escrito e pune idéias contrárias à ordem estabelecida.Na Idade Média ocorre o acúmulo de volumes manuscritos, bulas, editais papais, ordenações jurídicas. Havia também obras clandestinas literárias, políticas e científicas que escapavam dos censores e inquisidores.A leitura era um fenômeno coletivo, já que os livros pertenciam a bibliotecas (as bibliotecas foram criadas em 323 a.C. e os bibliotecários eram gramáticos famosos que corrigiam e catalogavam os textos); lia-se em voz alta como atividade grupal; o livro impresso permite a posse individual, estimula a reflexão e a crítica do leitor, levando o indivíduo a usar mais a razão. “O racionalismo neutraliza a fé e contribui para o amplo desenvolvimento cultural do homem”.


Referências bibliográficas:

BELTRÃO, Luiz e QUIRINO, Newton de Oliveira. Subsídios para uma teoria da comunicação de massa. São Paulo: Summus, 1986. P. 21 a 24.BORDENAVE, Juan Díaz. O que é comunicação. S. Paulo: Brasiliense, 2002 (27a. ed.). P. 12 a 29 e 35 a 41.GIOVANNINI, Giovani. Evolução na comunicação. Rio: Nova Fronteira, 1984. P. 23 a 83.

O que é texto?



Seriam tratadas como textos as produções feitas com as linguagens das artes plásticas, da música, da arquitetura, do cinema, do teatro, entre outras. Definições que se enquadram nesse caso:

A palavra texto provém do latim textum, que significa tecido, entrelaçamento. (...) O texto resulta de um trabalho de tecer, de entrelaçar várias partes menores a fim de se obter um todo inter-relacionado. Daí poder falar em textura ou tessitura de um texto: é a rede de relações que garantem sua coesão, sua unidade”. (INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. Curso prático de leitura e redação. Editora Scipione. São Paulo. 1991 )

"Embora a palavra texto tenha como referente 'conjunto verbal', podemos estendê-la aos signos em geral, definindo texto como um processo de signos que tendem a iludir seus referentes, tornando-se referentes de si mesmos e criando um campo referencial próprio.” PIGNATARI, Décio. Informação, linguagem, comunicação.

Se considerarmos um conceito amplo de letramento, queremos que os sujeitos sejam capazes de “ler” os mais diversos “textos” nas mais diversas linguagens. Lemos textos, escrevemos textos. Assim, podemos dividi-los em textos verbais e não-verbais e eles podem ser apresentados em duas formas básicas: prosa ou verso. Um texto pode ainda fazer referência a um outro. A esta permutação entre textos damos o nome de intertextualidade. Vamos a mais algumas definições?

“Um texto não é simplesmente uma seqüência de frases isoladas, mas uma unidade lingüística com propriedades estruturais específicas”. (KOCH, Ingedore G. Villaça. A Coesão Textual. São Paulo: Contexto, 1989. p. 11)

“Em sentido amplo, a palavra texto designa um enunciado qualquer, oral ou escrito, longo ou breve, antigo ou moderno. Caracteriza-se, pois, numa cadeia sintagmática de extensão muito variável, podendo circunscrever tanto a um enunciado único ou a uma lexia quanto a um segmento de grandes proporções. (GUIMARÃES, Elisa. A articulação do texto. Série princípios. Editora Ática. São Paulo. 1985.

"O texto será entendido como uma unidade lingüística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente da sua extensão." (TRAVAGLIA, Luiz Carlos.Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus. São Paulo: Cortez, 1997.p.67.)

Tipologia e Gêneros Textuais

TIPOLOGIA TEXTUAL



Quando falamos em tipos de textos, normalmente nos limitamos a tripartição, sob o enfoque tradicional: Descrição, Narração e Dissertação. Vamos um pouco mais além no intuito de conhecer um pouco mais sobre este assunto.

TEXTO DESCRITIVO

A descrição usa um tipo de texto em que se faz um retrato falado de uma pessoa, animal, objeto ou lugar. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora, dando ao leitor uma grande riqueza de detalhes.
A descrição, ao contrário da narração, não supõe ação. È uma estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais predominam. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade.
Quanto à descrição de pessoas, podemos atribuir-lhes características físicas ou psicológicas.

TEXTO NARRATIVO


Esta é uma modalidade textual em que se conta um fato, fictício ou real, ocorrido num determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado.
Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O narrar surge da busca de transmitir, de comunicar qualquer acontecimento ou situação. A narração em primeira pessoa pressupõe a participação do narrador ( narrador personagem) e em terceira pessoa mostra o que ele viu ou ouviu ( narrador observador ).
Na narração encontramos ainda os personagens ( principais ou secundários ), o espaço ( cenário) e o tempo da narrativa.


TEXTO DISSERTATIVO


Neste tipo de texto há posicionamentos pessoais e exposição de idéias. Tem por base a argumentação, apresentada de forma lógica e coerente a fim de defender um ponto de vista. Assim, a dissertação consiste na ordenação e exposição de um determinado assunto. É a nossa conhecida “redação” de cada dia. É a modalidade mais exigida nos concursos, já que exige dos candidatos um conhecimento de leitura do mundo, como também um bom domínio da norma culta.
Está estruturada basicamente assim:
1. Idéia principal ( introdução )
2. Desenvolvimento ( argumentos e aspectos que o tema envolve )
3. Conclusão ( síntese da posição assumida )



TEXTO EXPOSITIVO

Apresenta informações sobre determinados assuntos, expondo idéias, explicando e avaliando. Como o próprio nome indica, ocorre em textos que se limitam a apresentar uma determinada situação.
As exposições orais ou escritas entre professores e alunos numa sala de aula, os livros e as fontes de consulta, são exemplos maiores desta modalidade.


TEXTO INJUNTIVO

Este tipo de texto indica como realizar uma determinada ação. Ele normalmente pede, manda ou aconselha. Utiliza linguagem direta, objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo.
Bons exemplos deste tipo de texto são as receitas de culinária, os manuais, receitas médicas, editais , etc.



GÊNEROS TEXTUAIS



Muitos confundem os tipos de texto com os gêneros. No primeiro, eles funcionam como modos de organização, sendo limitados. No segundo, são os chamados textos materializados,encontrados em nosso cotidiano. Eles são muitos, apresentando características sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função, composição conteúdo e canal.
Assim, quando se escreve um bilhete ou uma carta, quando se envia ou recebe um e-mail ou usamos o Orkut ou MSN, estamos utilizando diversos gêneros textuais.



Tipos Textuais

Descrição
Narração
Dissertação
Exposição
Injunção


Gêneros Textuais

Bilhete
Carta pessoal, comercial
Diário, agenda, anotações
Romance
Blog, e-mail,Orkut, MSN
Aulas
Reuniões
Entrevistas
Piadas
Cardápio
Horóscopo
Telegrama, telefonema
Lista de compras, etc.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Quem não fala outra língua...

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Aula sobre ambiguidade com o Prof. Pasquale


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Aprender uma nova língua é descobrir novos horizontes!



Quem nunca se viu numa situação em que fosse necessário o conhecimento de uma outra língua ? Pois é. Hoje o mercado exige um profissional cada vez mais qualificado, sendo uma língua estrangeira essencial para aqueles que aspiram a uma atividade bem remunerada que garanta um bom futuro.
A língua inglesa continua sendo, disparada, a mais solicitada no mercado de trabalho. Há anos a língua de Shakespeare domina o mundo quando se fala de relações comerciais, transações bancárias, viagens aéreas e marítimas, esportes, informática, cinema, música, etc.
Aprender inglês não tem nada a ver com a simpatia que você nutre pelos Estados Unidos ou Inglaterra. Uma língua vai além desses domínios. Lembre-se que na Austrália, Nova Zelândia, Escócia, País de Gales, Irlanda, Canadá e tantos outros países falam o mesmo idioma. Assim, estudar e dedicar-se a uma outra língua é descobrir novos horizontes, conhecer novas culturas e tornar-se mais "antenado" com um mundo globalizado.