domingo, 7 de março de 2010

Luvas de Lembrança

Luvas de Lembrança

O namorado está em Nova Iorque e resolve mandar um presente para sua namorada. Entra em uma loja finíssima, mas não sabe o que escolher. Observando a elegância das novaiorquinas mesmo no frio, resolve pegar um caríssimo par de luvas e mandar para ela.

Ele pede para que a balconista embrulhe com um lindo papel de presente, enquanto vai ao caixa pagar. Descuidadamente, ela lhe entrega outro pacote, com o mesmo papel de embrulho, contendo dentro uma calcinha de nylon.

Sem saber do engano, o namorado envia o presente com um bilhete:

“ Querida. Para mostrar que mesmo estando longe não me esqueço de você, envio-lhe esta surpresa, mesmo sabendo que você não gosta de usar, pois neste tempo todo que estamos juntos nunca te vi usando uma. Gostaria de estar aí para poder ajudá-la a vestir. Fiquei em dúvida quanto à cor, mas a balconista me falou que esta não descora nem mancha. Ela mesma experimentou para eu ver se ficou boa. Aprovei na hora. Acho que em você vai ficar um pouquinho larga na frente, mas ela disse que é normal, pois facilita para que os dedos se mexam mais à vontade. Depois de usá-la, vire pelo avesso e ponha um pouco de talco para evitar o mau cheiro por causa do suor, tá? Espero que você esteja tão satisfeita quanto eu, pois ela vai cobrir aquilo que em breve irei lhe pedir.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Defenestração

Defenestração

Certas palavras têm o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra. Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.
-- Os hermeneutas estão chegando!
-- Ih, agora é que ninguém vai entender mais nada...
Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
-- Alô...
-- O que é que você quer dizer com isso?
Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
-- Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
Plúmbeo devia ser um barulho que o corpo faz ao cair na água. Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração. A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico.
Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
-- Defenestras?
A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas... Ah, algumas defenestravam.
Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais. Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:
-- Aquele é um defenestrado.
Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata. Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. "Defenestração" vem do francês "defenestration". Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela.
Ato de atirar alguém ou algo pela janela! Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?
Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.
-- Lês defenestrations. Devem ser proibidas.
-- Sim, monsieur le Ministre.
-- São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.
-- Sim, monsieur lê Mnistre.
-- Com prédios de três, quatro andares, ainda era possível. Até divertido. Mas, daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: "Interdit de defenestrer". Os transgressores serão multados. Os reincidentes serão presos.
Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.
-- É essa estranha vontade de jogar alguém ou algo pela janela, doutor...
-- Humm, O Impulsus defenestrex de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar -- diz o analista, afastando-se da janela.
Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada. Na lua-de-mel, numa suíte matrimonial no 17º andar.
-- Querida...
-- Mmmm?
-- Há uma coisa que preciso lhe dizer...
-- Fala, Amor
-- Sou um defenestrador.
E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama:
-- Estou pronta para experimentar tudo com você! TUDO!
Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e babulcia:
-- Fui defenestrado...
Alguém comenta:
-- Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela?
Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.


Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Palíndromos

PALÍNDROMOS



Chamamos de palíndromo a palavra ou frase que pode ser lida/escrita da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. Este vocábulo é de origem grega. Os elementos palin ( de novo) e dromo ( percurso ) nos dão a ideia de que estas palavras ou frases nos remetem ao mesmo sentido independentemente do inicio do seu trajeto.
Embora as frases palindrômicas pareçam ser a perfeição da simetria e tenham sido consideradas mágicas pelos antigos, muitos as consideram sem importância, visto que em sua maioria, são frases sem muita expressão. Vamos nos divertir um pouco?



PALAVRAS

arara
ovo
Ana
reviver
rir
osso
socos
Bob
reler
sopapos
radar
ele
Oto
raiar
anilina




FRASES


Oi, rato otário!
A base do teto desaba.
A grama é amarga.
Ame o poema.
Anotaram a data da maratona?
A sacada da casa.
E até o Papa poeta é.
Ele padece da pele.
Eva, asse essa ave!
Livre do poder vil.
Erro comum ocorre.
A mala nada na lama.
O Cid é médico.
Adias a data da saída.
A diva em Argel alegra-me a vida.
Assim, a sopa só mereceremos após a missa.
O pó de cocaína mata maníaco cedo, pô!
Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!
Roda esse corpo, processe a dor!
A Daniela ama a lei? Nada!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Variação Linguística

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA



Variação Estilística : Não há falante/escritor que fale/escreva da mesma forma. Temos um estilo próprio, que expressa nosso ponto de vista sobre o mundo e a sociedade; ele é a bagagem que acumulamos com nossas experiências pessoais e únicas.Essas experiências se manifestam no nosso vestuário, andar, comportamento e, lógico, na nossa fala e escrita.
Quando articulamos a fala e a escrita, fazemos mais escolhas da ordem do significado (semânticas) do que escolhas morfológicas ou sintáticas. As seleções pessoais estão interligadas, normalmente, com as situações de uso da língua. Um médico em uma conferência fará escolhas linguísticas diferentes daquelas que usa quando conversa com os filhos.

Variação Sociocultural : Extremamente ligada à variação estilística. Destacam-se os usos diferenciados por faixa etária, principalmente os das crianças, dos jovens (a gíria) e dos idosos (esses com termos e formas que vão caindo em desuso). Os jovens, em busca de sua identidade, costumam criar formas próprias de expressão, transformando o significado dos termos ou criando uma sintaxe própria. Assim, entre os jovens, temos as tribos dos surfistas, dos skatistas, dos rappers, dos mauricinhos, das patricinhas, dos punks, e assim por diante.
Na variação por sexo, o uso do diminutivo, por exemplo, é mais comum na fala das mulheres do que dos homens. Provavelmente, por conta da preocupação de evitar palavras mais afetivas, devido à avaliação social de seu “machismo”.
Outra variação interessante é a de determinados grupos profissionais (jargão). Muitos têm terminologia própria, como advogados, médicos, mecânicos, jogadores, policiais etc. Há ainda os intelectuais, que costumam falar por meio de alusões e citações.

Variação Geográfica : Além da mudança de língua de uma região para a outra do planeta, temos as variações dentro de um mesmo país que fala uma mesma língua. A língua portuguesa mostra diferenças de fala e escrita em Portugal e no Brasil, e mesmo dentro destes países temos regiões que apresentam marcas específicas, principalmente na fala. Essas variações também são denominadas regionalismos, dialetos ou falares locais.
A variação geográfica, diferente das outras citadas, representa fatos sociais de uma determinada região e é interiorizada por todos os falantes, já que sua aprendizagem ocorre, na maioria das vezes, no ambiente familiar e permanece como marca de identidade do grupo social.

Variação Histórica : A língua não se diversifica apenas no espaço social, pessoal ou interpessoal; ela se diversifica também no tempo. Uma variante divulgada por um grupo social em determinada época, pode ser abandonada no transcorrer do tempo, ficando sua marca somente no registro escrito. Palavras, expressões ou construções não mais usadas são denominadas arcaísmos. Já os neologismos são adotados e propagados por grupos sociais e acabam se juntando à língua como variantes aceitas e reconhecidas. Em tempos de tecnologia, palavras vão sendo assimiladas, como os termos específicos da informática, e outras vão adquirindo novos significados.

sábado, 21 de novembro de 2009

Coerência Textual

COERÊNCIA TEXTUAL




Um texto é coerente quando é possível interpretá-lo. Estudar a coerência de um texto é, pois, estudar as condições de sua interpretabilidade. Vejamos alguns exemplos:

( 1 ) Quem tem uma foto importada de 1000 cilindradas, que custa 20 mil dólares, não vai expô-la ao trânsito de uma cidade como Recife.

( 2 ) Holyfield venceu a luta, apesar de ser o mais forte dos lutadores.


Observe que os textos acima são incoerentes. No primeiro caso, houve o uso inadequado, talvez por erro de grafia, da palavra foto pela palavra moto. No segundo caso, houve uma falha gramatical. A conjunção apesar de não está adequada e deveria ser substituída pela conjunção pois, o que resultaria em coerência textual.

A coerência de um texto depende também de outros fatores, como os elementos contextualizadores que são data, local, elementos gráficos etc. Imagine o seguinte texto:

( 3 ) Hoje, eu, o rei, convido a todos a comparecer em massa, para assistir ao massacre de Israel.

Percebemos que a coerência textual também depende de nosso conhecimento de mundo.
Alguém com conhecimento em história pode relacionar o fato ao povo judeu, quando Roma, na ocupação da Judeia , a destruiu sob o comando do imperador Tito. Os mais aficionados por futebol, vão associar o texto à frase dita pelo rei Pelé, no Rio de Janeiro, em 1995, numa partida entre as seleções do Brasil e de Israel.

A meta-regra da não-contradição nos diz que cada pedaço do texto deve “fazer sentido” com o que se disse antes. Se um texto cita um fato e logo em seguida cita outra coisa diferente sobre o mesmo fato, fica bem clara a contradição. As informações não batem.Vejamos o texto a seguir:



Para as tropas aliadas, o dia 4 de junho foi um dia terrível. Os homens da quarta divisão de infantaria ficaram o dia inteiro no mar. Os navios-transporte e as embarcações de desembarque faziam círculos ao largo da ilha de Wight. As ondas arrebentavam sobre os lados, caía uma chuva forte. Os homens estavam prontos para o combate, mas sem destino nenhum. Depois dessa exaustiva caminhada, debaixo de um sol escaldante, todos estavam cansados. Nesse dia 3 de junho, ninguém queria jogar dados ou pôquer, ou ler um livro ou ouvir outra instrução. O desânimo tomava conta de todos.

A informação de que os soldados estavam exaustos depois de uma caminhada contradiz o que está pressuposto na parte inicial. Afinal, eles estavam embarcados em navios-transporte e pressupõe-se que, nessas condições, soldados não façam caminhadas. Outra coisa sem nexo é que caía uma forte chuva. Como eles podiam estar cansados sob um sol escaldante? Outra contradição é a de que no dia 3 de junho ninguém queria jogar dados ou pôquer. O início do texto explicita o dia 4 de junho. Portanto, o texto em questão tem coesão, progressão, mas é contraditório e, por isso, incoerente.
A regra-meta de relação estabelece que o conteúdo do texto deve estar adequado a um estado de coisas no mundo real ou em mundos possíveis. Vejamos o seguinte texto:

O município de Gravatá abrange uma região imensa que é composta por vários estados limítrofes que ocupam uma área respeitável. Conta ainda com uma superpopulação, com uma maioria de pessoas cultas e uma juventude com grandes recursos educacionais, cursando as várias escolas e faculdades existentes.
Isto posto, essa cidade sente falta urgente de uma capela crematória. Para os leigos é preciso esclarecer que, para um corpo ser exumado através do forno crematório, há necessidade que ele registre esta vontade diante de duas testemunhas. Somente o interessado poderá usar esta forma de suprir seu desejo, caso contrário, a exumação seria da forma natural, ou seja, o sepultamento.

Esse texto contraria de várias maneiras a meta-regra de relação, pois seu conteúdo não condiz com a realidade. Afinal, Gravatá não se limita com vários estados, não tem superpopulação, um corpo (cadáver) não pode mais registrar suas vontades e, se pudesse, como o faria diante de duas testemunhas? Há também o emprego inadequado do léxico. Afinal, exumar não é o mesmo que cremar ou sepultar.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mecanismos de Coesão Textual

MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL




Coesão é o encadeamento semântico que produz a textualidade. Podemos definir a coesão, mais especificamente, dizendo que se trata de uma maneira de recuperar, em uma sentença, um termo presente na sentença anterior.
Se perguntarmos se duas sentenças como Pegue três maçãs, Coloque-as sobre a mesa constituem um texto, a resposta será afirmativa. Se perguntarmos o motivo, dirão que ambas tratam da mesma coisa. Se perguntarmos ainda se existe algo na segunda sentença que possa ligá-la à primeira, apontariam o pronome as. De fato, o pronome recupera semanticamente, na segunda sentença, o termo três maçãs. Eis aí um exemplo de coesão textual.
Muitas pessoas constroem razoavelmente a textualidade na língua oral, mas, quando se trata de escrever um texto, em geral se limitam a usar as palavras mesmo e referido, produzindo sequências do tipo:


(1) Pegue três maçãs. Coloque as mesmas sobre a mesa.
(2) João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Na referida cidade, o mesmo disse que a igreja continua a favor do celibato.


É muito fácil, porém, evitar este procedimento, fazendo uso dos amplos recursos de que a língua dispõe para construir a textualidade. Vejamos outras versões possíveis da sequência (2):

(2 a) João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Lá, ele disse que a igreja continua a favor do celibato.
(2 b) João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Lá, disse que a igreja continua a favor do celibato.

Na versão (2 a), o termo Varsóvia está recuperado pelo advérbio lá e o termo João Paulo II, pelo pronome ele. Esse processo chama-se coesão por referência. As palavras responsáveis por este tipo de coesão são os pronomes pessoais ( ele, ela, nós, o, a, lhe, etc.), os pronomes possessivos ( meu, teu, seu etc. ) e os pronomes demonstrativos ( este, esse, aquele etc. ). Os advérbios de lugar e também os artigos definidos entram nesta lista..

Em ( 2 b ), João Paulo II se acha retomado na segunda sentença por elipse, ou seja, a omissão do termo ele .
Uma outra possibilidade seria utilizar palavras ou expressões sinônimas dos termos que deverão ser retomados. No caso em questão, podemos usar a palavra papa, para retomar João Paulo II, e a expressão capital da Polônia, para retomar Varsóvia.

( 2 c) João Paulo II esteve, ontem, em Varsóvia. Na capital da polônia, o papa disse que a igreja continua a favor do celibato.




Observe que a coesão é essencial para evitar a repetição de termos:

( 3 ) Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Os termômetros clínicos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria.

Para evitar este inconveniente, podemos utilizar sinônimos ou outras palavras que substituam, sem fugir aos significados dos termos anteriores.

( 3 a) Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Os mesmos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria.
( 3 b) Acabamos de receber trinta termômetros clínicos. Esses instrumentos deverão ser encaminhados ao departamento de pediatria.


Um efeito colateral positivo da coesão é a maior clareza do texto. Comparemos as versões a seguir de um mesmo texto:

I. O governo de muitos países tem decidido liberar a maconha para uso doméstico. A Inglaterra faz vistas grossas ao seu consumo. Ela deixará, a partir de agora, de efetuar prisões por seu porte para consumo próprio. Ela segue a tendência européia de maior tolerância com os usuários de drogas leves.


II. O governo de muitos países tem decidido liberar a maconha para uso doméstico. A Inglaterra faz vistas grossas ao consumo da erva. As autoridades inglesas deixarão, a partir de agora, de efetuar prisões pelo porte desse entorpecente para consumo próprio. O país segue a tendência européia de maior tolerância com os usuários de drogas leves.


Às vezes, a coesão textual é feita de maneira indireta, apelando para o conhecimento de mundo do leitor. Vejamos os exemplos seguintes:

( 4 ) Ontem fui a uma festa de casamento. O bolo estava delicioso.
( 5 ) Liguei o carro e saí. Duas quadras depois notei um pneu da frente
vazio.
( 6 ) Mamãe ficou uma semana internada em um hospital. Ela chegou a ficar
amiga de várias enfermeiras.

Veja que na sequência ( 4 ) a palavra bolo é responsável pela coesão entre as duas frases, mas não retoma nenhum termo anterior. A coesão textual é feita por uma relação de idéia entre os termos. A mesma coesão lexical indireta se dá entre os termos carro/pneu e hospital/enfermeiras.




MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL - EXERCÍCIOS




Construa novas versões dos textos a seguir, utilizando, em relação às palavras destacadas, os mecanismos de coesão que julgar adequados:



1) As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os automóveis para vender os automóveis mais caro. O cliente vai à revendedora de automóveis com pouco dinheiro e, se tiver que pagar mais caro o automóvel, desiste de comprar o automóvel, e as revendedoras de automóveis têm prejuízo.


2) A China é mesmo um país fascinante, onde tudo é dimensionado em termos gigantescos. A China é uma civilização milenar. A China abriga cerca de um quarto de toda a humanidade. Mencionar tudo o que a China, um tanto misteriosa, tem de grande ocuparia um espaço também exagerado.



3) Muita gente votou nas últimas eleições. Muita gente pensava que as coisas iriam mudar radicalmente, mas muita gente estava enganada. O Brasil parece que levará ainda um tempo muito grande para amadurecer. O que o Brasil precisa, entretanto, para chegar a ficar maduro, é manter arejada e viva a democracia com a ajuda de muita gente.




POSSÍVEIS RESPOSTAS




1) revendedoras de automóveis, automóveis, revendê-los, à concessionária, pelo produto, comprá-lo, agências

2) China, ( Omissão do termo A China ), O gigante amarelo, este enorme país

Muita gente, uma grande parte da população, várias pessoas, todos