terça-feira, 17 de julho de 2012

O assassino era o escriba


Logo após as provas de junho eu ouvi, pelos corredores, alguns alunos reclamarem que não suportavam a língua portuguesa. Lembrei-me, então, de um texto de Paulo Leminski que retrata bem o "amor" de alguns alunos em relação aos professores desta disciplina.
Boa leitura.

O assassino era o escriba


Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da primeira conjugação.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Meu óculos ou meus óculos?

Óculos é um substantivo masculino sempre usado no plural.

Portanto, nada de dizer ou escrever: "meu óculos está sujo".

E sim: "meus óculos estão sujos".

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Bacharela e Mestra

Agora é lei. Neste mês de maio a Presidenta Dilma assinou a lei que obriga as Instituições de Ensino Superior do país a emitir diplomas com alteração no gênero: bacharel ou bacharela e mestre ou mestra. As mulheres que possuem diplomas impressos como bacharel ou mestre podem requerer um outro com a nova mudança de gênero. O que isto traz de importante para o cenário educativo? Absolutamente nada. Talvez seja mais uma forma de mostrar o poder que a mulher tem no Brasil de hoje. Mas, será que poder e conhecimento passam pelo crivo de simples vogais ao final de uma titulação? E aquelas que possuem diplomas anteriores à lei, devem sentir-se diminuídas? E se de repente os homens saem às ruas exigindo em seus diplomas os títulos de "dentisto" ou "jornalisto"? O que será do nosso idioma?
A língua é um instrumento vivo, dinâmico. Vamos aguardar a resposta dos principais interessados: os usuários da língua portuguesa.
Ah... quer saber? Eu e o Brasil temos coisas mais importantes para resolver.

Grande abraço!

domingo, 14 de agosto de 2011

Em rigor ou a rigor?

A locução "em rigor" pode ser entendida ou substituída pelo advérbio "rigorosamente", precedendo explicações ou exposição de ideias precisas.

Exemplos:
Em rigor, deveríamos dizer que ninguém comete erro em língua.
Em rigor, o vegetariano é aquele que se alimenta apenas de vegetais.

Também pode dar ideia de inflexibilidade, dureza, rigidez.

Exemplo: "Serra vê pouco efeito em rigor fiscal do governo Dilma". (Estadão)

A expressão "a rigor" não deve ser usada como sinônimo de "em rigor". Ela é usada, sobretudo, quando se refere a vestimenta, significando "de acordo com o que exige a ocasião".
Então, se vamos vestidos "a rigor" a um determinado evento, significa que estamos trajados com roupas adequadas para a ocasião, como um baile à fantasia, formatura, casamento etc.

Exemplo: Os noivos devem vestir-se a rigor na cerimônia de casamento.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

maiores informações X mais informações

"Acesse o site para obter maiores informações".
"Ligue e receba maiores informações".

Você já leu ou ouviu algo parecido? Acha que as frases estão corretas?

Bem, quantos centímetros uma informação deve ter para ser maior que outra?

As frases ficam bem melhor assim:

"Acesse o site para obter mais informações".
"Ligue e receba mais informações".

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Qual o masculino de primeira-dama?

Agora que temos uma presidente em nosso país, recebo vários e-mails pedindo esclarecimentos sobre as seguintes dúvidas:

1. Devemos falar "a presidente" ou "a presidenta"?

As duas formas estão corretas, porém, hoje é mais usada a forma "a presidente".


2. Se a nossa presidente Dilma fosse casada, como deveríamos nos referir ao seu esposo?

Pasmem! Ouvi de uma jornalista, durante o programa da Ana Maria Braga, que "a nossa presidenta não tem um primeiro-damo". O masculino de primeira-dama é "primeiro-cavalheiro".